Quando levar uma criança para uma avaliação auditiva?
Introdução
"Meu filho parece ouvir bem. Mesmo assim, ele precisa fazer uma avaliação auditiva?"
Essa é uma dúvida bastante comum entre pais e responsáveis. Afinal, quando a criança reage a sons, atende quando é chamada ou conversa normalmente, pode parecer que sua audição está funcionando perfeitamente.
Mas nem sempre uma alteração auditiva é fácil de perceber no dia a dia. Algumas perdas podem ser leves, afetar apenas determinadas frequências ou surgir depois do nascimento. Por isso, o acompanhamento da audição faz parte dos cuidados importantes com a saúde e o desenvolvimento infantil.
Neste artigo, você vai entender quando levar uma criança para uma avaliação auditiva, quais sinais observar e em quais situações a investigação merece atenção especial.
Sumário
- A criança precisa fazer avaliação auditiva mesmo sem sintomas?
- Quando o bebê deve ter a audição avaliada?
- Quando levar uma criança maior para avaliação?
- Quais sinais podem indicar uma alteração auditiva?
- Problemas de fala podem estar relacionados à audição?
- Criança que teve otite precisa fazer avaliação?
- Como é feita a avaliação auditiva infantil?
- A avaliação auditiva dói?
- Por que identificar alterações cedo é importante?
- Quando procurar um fonoaudiólogo?
- Conclusão
A criança precisa fazer avaliação auditiva mesmo sem sintomas?
Em algumas fases da infância, a avaliação auditiva faz parte do acompanhamento recomendado, mesmo quando os pais não percebem nenhuma dificuldade.
O primeiro momento importante é logo após o nascimento. A triagem auditiva neonatal, conhecida popularmente como teste da orelhinha, tem como objetivo identificar bebês que podem precisar de uma investigação mais detalhada.
De acordo com as recomendações de detecção e intervenção precoce utilizadas pelo CDC, todos os bebês devem passar por uma triagem auditiva até o primeiro mês de vida. Quando o bebê não passa na triagem, é recomendada uma avaliação diagnóstica completa antes dos 3 meses.
Além disso, uma triagem normal ao nascer não significa que a audição estará necessariamente normal durante toda a infância. Algumas alterações podem surgir posteriormente.
Quando o bebê deve ter a audição avaliada?
Ainda nos primeiros meses de vida
O ideal é que a audição do bebê seja investigada ainda no início da vida.
A triagem auditiva neonatal pode ser realizada enquanto o bebê ainda está na maternidade e costuma ser rápida e indolor. Entre os métodos utilizados estão as emissões otoacústicas (EOA) e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico automatizado (PEATE-A).
Se o bebê não passar na triagem, isso não significa automaticamente que ele tenha perda auditiva. Pode ser necessário repetir a triagem ou realizar uma avaliação diagnóstica mais completa para entender o que está acontecendo.
Por isso, o mais importante é não deixar o acompanhamento para depois.
Quando levar uma criança maior para avaliação?
Depois da fase neonatal, a avaliação auditiva pode ser indicada sempre que houver suspeita de alteração na audição ou algum fator de risco.
A recomendação é procurar avaliação quando os pais, responsáveis, professores ou profissionais que acompanham a criança perceberem alguma mudança ou dificuldade relacionada à audição.
Também pode ser importante avaliar a audição antes da entrada na escola ou durante o acompanhamento escolar, de acordo com a idade e os protocolos adotados.
Em outras palavras: não é necessário esperar a criança apresentar uma dificuldade muito evidente para investigar a audição.
Quais sinais podem indicar uma alteração auditiva?
Alguns comportamentos podem passar despercebidos ou ser confundidos com falta de atenção. Por isso, vale observar a criança no cotidiano.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- não reagir a sons fortes;
- não procurar a origem dos sons conforme esperado para sua idade;
- não responder quando é chamada pelo nome;
- parecer ouvir alguns sons, mas não outros;
- pedir frequentemente para repetir o que foi falado;
- falar "hã?" ou "o quê?" com frequência;
- aumentar muito o volume da televisão ou de outros aparelhos;
- apresentar fala atrasada ou pouco clara;
- ter dificuldade para seguir instruções;
- demonstrar dificuldades de comunicação que não parecem compatíveis com sua idade.
Um único comportamento não significa necessariamente que exista uma perda auditiva. Porém, quando existe uma preocupação recorrente, vale investigar em vez de simplesmente esperar que passe.
Problemas de fala podem estar relacionados à audição?
Podem.
A audição tem um papel importante no desenvolvimento da comunicação. Uma criança precisa ter acesso aos sons da fala para aprender a reconhecê-los e utilizá-los em sua própria comunicação.
Por isso, quando existe atraso ou dificuldade no desenvolvimento da fala, a avaliação auditiva pode fazer parte da investigação. A ASHA recomenda que a audição seja considerada durante avaliações de linguagem quando ainda não foi realizada uma triagem adequada.
Isso não significa que toda dificuldade de fala seja causada por uma alteração auditiva. Existem diversas razões possíveis para atrasos ou dificuldades de linguagem. A avaliação ajuda justamente a entender quais fatores podem estar envolvidos.
Criança que teve otite precisa fazer avaliação?
A presença de problemas no ouvido também pode ser um motivo para conversar com o pediatra ou fonoaudiólogo sobre a necessidade de uma avaliação auditiva.
Alterações no ouvido médio podem interferir na forma como os sons são transmitidos. Dependendo da frequência dos episódios, dos sintomas e da avaliação clínica, o profissional pode considerar necessário investigar a audição e o funcionamento do ouvido.
O mais importante é observar a criança como um todo: audição, fala, linguagem, comportamento e histórico de saúde.
Como é feita a avaliação auditiva infantil?
A avaliação depende da idade da criança e daquilo que o profissional precisa investigar.
Em bebês e crianças pequenas, podem ser utilizados exames que não dependem de uma resposta verbal ou de apertar um botão. Já crianças maiores podem participar ativamente de determinados testes, respondendo quando percebem sons.
Uma avaliação audiológica completa pode reunir diferentes procedimentos para verificar tanto a resposta da criança aos sons quanto o funcionamento de estruturas do ouvido.
Por isso, não existe um único exame que seja adequado para todas as crianças. O profissional escolhe os procedimentos de acordo com a idade, o desenvolvimento e a necessidade de cada paciente.
A avaliação auditiva dói?
Não.
Os exames auditivos utilizados na infância são, em geral, não invasivos e indolores. Alguns podem ser realizados enquanto o bebê está dormindo, enquanto outros são feitos de forma lúdica, transformando a avaliação em uma atividade adequada à idade da criança.
O objetivo é criar uma experiência tranquila para que o profissional consiga obter informações confiáveis sobre a audição.
Por que identificar alterações cedo é importante?
A audição está diretamente relacionada às oportunidades que a criança tem de ouvir, interagir e desenvolver sua comunicação.
Quando uma alteração auditiva não é identificada, ela pode passar despercebida durante meses ou até anos. Dependendo do tipo e do grau da perda, isso pode interferir no desenvolvimento da comunicação, da linguagem e das habilidades sociais.
É por isso que a identificação precoce é tão importante.
Nos casos de bebês que não passam na triagem auditiva, por exemplo, as recomendações de detecção e intervenção precoce estabelecem como referência a investigação diagnóstica até os 3 meses e o início da intervenção necessária até os 6 meses.
Quanto antes uma alteração é identificada, mais cedo a família pode receber orientação adequada sobre os próximos passos.
Quando procurar um fonoaudiólogo?
Você pode procurar um fonoaudiólogo quando:
- existe alguma dúvida sobre a audição da criança;
- ela não passou na triagem auditiva;
- apresenta atraso ou dificuldade na fala;
- parece não compreender o que é falado;
- aumenta frequentemente o volume da televisão;
- não responde quando é chamada;
- apresenta dificuldade para acompanhar conversas;
- professores ou outros cuidadores relatam alguma preocupação com a audição;
- existe histórico ou condição que possa aumentar o risco de perda auditiva.
A orientação também é importante quando os pais simplesmente sentem que existe algo diferente na forma como a criança ouve. O CDC recomenda que, diante de uma preocupação, a família procure avaliação em vez de esperar para ver se o problema desaparece sozinho.
Mitos e verdades
"Se meu filho passou no teste da orelhinha, nunca mais precisa avaliar a audição."
Mito. A triagem neonatal é muito importante, mas algumas perdas auditivas podem surgir posteriormente. Por isso, é importante acompanhar a audição e observar o desenvolvimento da criança.
"Criança que fala bem não pode ter perda auditiva."
Mito. Algumas alterações podem ser leves ou afetar determinadas frequências, sem causar dificuldades de fala imediatamente perceptíveis.
"A avaliação auditiva infantil pode ser feita em bebês."
Verdade. Existem métodos específicos para avaliar a audição desde os primeiros dias de vida.
"Não preciso esperar a criança ficar maior para investigar uma suspeita."
Verdade. Quando existe preocupação com a audição, a avaliação pode ser indicada independentemente da idade.
Conclusão
A pergunta "quando levar uma criança para uma avaliação auditiva?" não tem como resposta apenas uma idade específica. A audição deve ser acompanhada desde os primeiros meses de vida, e qualquer suspeita ou sinal de alteração merece atenção.
A triagem auditiva neonatal é um primeiro passo importante, mas não substitui o acompanhamento ao longo da infância. Mudanças na fala, dificuldade para responder aos sons, aumento do volume da televisão ou preocupações relatadas pela família e pela escola podem ser motivos para procurar uma avaliação.
Identificar uma possível alteração auditiva cedo permite que a família tenha acesso mais rapidamente à orientação e ao acompanhamento adequados.
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