Quem deve fazer exames auditivos regularmente?
Introdução
Você costuma fazer exames auditivos apenas quando percebe alguma dificuldade para ouvir?
Muitas alterações auditivas aparecem de forma gradual e podem passar despercebidas durante bastante tempo. É comum que a pessoa se acostume a aumentar o volume da televisão, pedir para que os outros repitam o que disseram ou evitar ambientes barulhentos sem perceber que esses comportamentos podem estar relacionados à perda auditiva.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a audição seja verificada ao longo da vida, especialmente entre pessoas que apresentam maior risco de desenvolver alterações auditivas. Entre os grupos de atenção estão idosos, pessoas expostas frequentemente a sons intensos, trabalhadores de ambientes ruidosos e indivíduos que utilizam determinados medicamentos que podem afetar a audição.
Mas quem realmente precisa fazer exames auditivos regularmente? E com que frequência?
Sumário
- Por que acompanhar a saúde auditiva?
- Quem deve fazer exames auditivos regularmente?
- Crianças precisam fazer exames auditivos?
- Adultos jovens também precisam avaliar a audição?
- Quais são os principais fatores de risco?
- Quais sinais indicam que está na hora de procurar ajuda?
- Com que frequência o exame auditivo deve ser realizado?
- Qual é a diferença entre triagem e avaliação auditiva?
- Mitos e verdades sobre exames auditivos
- Quando procurar um fonoaudiólogo?
- Conclusão
Por que acompanhar a saúde auditiva?
A audição desempenha um papel fundamental na comunicação, no aprendizado, na vida profissional e nas relações sociais.
Um dos desafios das alterações auditivas é que elas nem sempre são percebidas imediatamente. A perda auditiva pode se desenvolver gradualmente, fazendo com que a pessoa se adapte às dificuldades antes de reconhecer que existe uma alteração.
A identificação precoce permite investigar a causa e, quando necessário, iniciar medidas de acompanhamento e intervenção. A OMS destaca que a identificação precoce das alterações auditivas é importante para que o cuidado adequado seja iniciado o quanto antes.
Por isso, não é necessário esperar uma perda auditiva evidente para cuidar da audição.
Quem deve fazer exames auditivos regularmente?
A avaliação auditiva pode ser indicada para pessoas de todas as idades, mas alguns grupos merecem atenção especial.
1. Pessoas com mais de 60 anos
O envelhecimento está entre os principais fatores associados à perda auditiva. A chamada presbiacusia costuma se desenvolver gradualmente e pode afetar a compreensão da fala, principalmente em ambientes com muito ruído.
A OMS recomenda atenção especial à saúde auditiva nessa fase da vida e orienta a realização de avaliações anuais quando existem sinais ou dificuldades auditivas.
2. Pessoas expostas a ruídos intensos
Quem trabalha ou passa muito tempo em ambientes com níveis elevados de ruído apresenta maior risco de desenvolver perda auditiva relacionada à exposição sonora.
Isso pode incluir profissionais que trabalham em:
- Construção civil;
- Indústrias;
- Oficinas;
- Casas de shows e eventos;
- Aeroportos;
- Ambientes com máquinas e equipamentos ruidosos.
A exposição recreativa também merece atenção. Fones de ouvido em volume elevado, shows, festas e outras atividades com sons intensos podem contribuir para danos auditivos. A OMS alerta que mais de 1 bilhão de jovens adultos estão em risco de perda auditiva permanente e evitável devido a práticas de escuta inseguras.
3. Pessoas que utilizam medicamentos ototóxicos
Alguns medicamentos podem afetar o sistema auditivo. Entre os fatores de risco considerados nas avaliações auditivas estão determinados medicamentos utilizados em tratamentos contra câncer, infecções e outras condições.
Nesses casos, o acompanhamento deve ser individualizado e realizado de acordo com a orientação dos profissionais responsáveis pelo tratamento.
4. Pessoas que já apresentam sintomas auditivos
Não é necessário esperar o agravamento de um sintoma para procurar avaliação.
Alguns sinais importantes são:
- Pedir frequentemente para as pessoas repetirem o que disseram;
- Aumentar o volume da televisão ou do celular;
- Ter dificuldade para acompanhar conversas em ambientes barulhentos;
- Sentir dificuldade para entender conversas ao telefone;
- Ter dificuldade para acompanhar conversas em grupo;
- Perceber zumbido nos ouvidos;
- Não ouvir campainhas, alarmes ou telefones;
- Perceber que está falando mais alto que o habitual.
Esses são alguns dos sinais descritos pela OMS como possíveis indicadores de perda auditiva relacionada à idade.
5. Pessoas com histórico de problemas no ouvido
Infecções recorrentes, cirurgias no ouvido, histórico familiar de perda auditiva, traumatismos na cabeça e determinadas doenças também podem aumentar a necessidade de acompanhamento.
A frequência das avaliações deve considerar o histórico individual e a orientação do profissional de saúde.
Crianças precisam fazer exames auditivos?
Sim. A saúde auditiva deve ser acompanhada desde os primeiros anos de vida.
A audição tem uma relação importante com o desenvolvimento da linguagem, da comunicação e da aprendizagem. Por isso, a identificação de alterações auditivas durante a infância é especialmente importante.
A OMS recomenda estratégias de triagem auditiva em diferentes fases da infância, incluindo recém-nascidos, crianças em idade pré-escolar e crianças em idade escolar.
Além dos exames previstos nas etapas de acompanhamento infantil, a avaliação pode ser indicada sempre que pais, responsáveis ou professores perceberem alguma mudança.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
- A criança não reage adequadamente a sons;
- Não parece ouvir quando é chamada;
- Apresenta dificuldade para compreender instruções;
- Aumenta frequentemente o volume de dispositivos;
- Apresenta atraso ou dificuldades no desenvolvimento da fala;
- Tem histórico frequente de infecções de ouvido;
- Professores relatam dificuldade de atenção ou compreensão.
A American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) também destaca que preocupações manifestadas por familiares ou professores podem ser motivo para uma triagem ou avaliação auditiva.
Adultos jovens também precisam avaliar a audição?
Sim.
A perda auditiva não acontece exclusivamente na terceira idade. Pessoas jovens também podem apresentar alterações auditivas, especialmente quando estão frequentemente expostas a sons intensos.
O uso de fones de ouvido em volumes elevados, shows, festas, atividades profissionais ruidosas e outras fontes de exposição sonora podem representar fatores de risco.
Por isso, idade não é o único critério para decidir quando avaliar a audição. O histórico de exposição sonora e outros fatores individuais também devem ser considerados.
Quais são os principais fatores de risco para perda auditiva?
Entre os fatores que podem aumentar a necessidade de acompanhamento estão:
- Idade avançada;
- Exposição frequente a ruídos intensos;
- Uso de determinados medicamentos ototóxicos;
- Histórico de infecções de ouvido;
- Histórico familiar de perda auditiva;
- Traumatismos cranianos;
- Algumas doenças crônicas;
- Zumbido;
- Doenças específicas do ouvido;
- Acidentes vasculares cerebrais;
- Outras condições que podem afetar o sistema auditivo.
A avaliação individual é importante porque a frequência ideal dos exames não é igual para todas as pessoas. A ASHA destaca que idade, condições de saúde, exposição a ruído e outros fatores de risco devem ser considerados na definição do acompanhamento.
Com que frequência o exame auditivo deve ser realizado?
Não existe uma única frequência que sirva para todas as pessoas.
Para adultos, a periodicidade pode variar de acordo com idade, histórico de saúde, exposição a ruídos, uso de medicamentos e presença de sintomas. A ASHA ressalta que não há um único cronograma universal para a triagem auditiva de adultos.
Para pessoas que apresentam fatores de risco ou sintomas, o acompanhamento pode precisar ser mais frequente.
Em idosos, por exemplo, a OMS recomenda avaliação anual especialmente quando existem sinais de alteração auditiva.
Por isso, em vez de esperar uma dificuldade significativa para procurar ajuda, vale conversar com um profissional e estabelecer uma rotina de acompanhamento adequada ao seu perfil.
Qual é a diferença entre triagem e avaliação auditiva?
É comum encontrar os termos triagem auditiva e avaliação auditiva, mas eles não significam exatamente a mesma coisa.
A triagem tem como objetivo identificar pessoas que podem apresentar uma alteração e que precisam de uma investigação mais detalhada.
Já uma avaliação audiológica é mais abrangente e pode utilizar diferentes procedimentos para investigar a audição e o funcionamento do sistema auditivo. De acordo com a ASHA, um resultado alterado na triagem pode indicar a necessidade de uma avaliação audiológica completa.
Por isso, um teste de triagem não deve ser interpretado como um diagnóstico definitivo.
Mitos e verdades sobre exames auditivos
"Só preciso fazer exame auditivo quando tenho dificuldade para ouvir."
Mito.
Algumas alterações auditivas aparecem gradualmente e podem não ser percebidas imediatamente. O acompanhamento é especialmente importante para pessoas que apresentam fatores de risco.
"Pessoas jovens também podem ter perda auditiva."
Verdade.
A exposição frequente a sons intensos pode aumentar o risco de alterações auditivas independentemente da idade.
"Zumbido pode ser um sinal de que preciso avaliar minha audição."
Verdade.
O zumbido está entre os sinais que podem acompanhar alterações auditivas e merece investigação, especialmente quando é persistente ou acompanhado de outras mudanças na audição.
"Um teste feito pelo celular substitui uma avaliação profissional."
Mito.
Ferramentas digitais podem ser utilizadas para triagem, mas não substituem uma avaliação realizada por um profissional qualificado. A própria OMS ressalta que ferramentas como o hearWHO não constituem um exame auditivo formal.
Quando procurar um fonoaudiólogo?
Procure orientação profissional quando perceber qualquer mudança na sua audição ou quando houver fatores que aumentem o risco de perda auditiva.
É especialmente importante buscar avaliação quando:
- Você percebe dificuldade para compreender a fala;
- Precisa aumentar constantemente o volume da televisão;
- Pede repetidamente para as pessoas falarem novamente;
- Tem dificuldade para conversar em ambientes com ruído;
- Apresenta zumbido;
- Tem histórico de exposição profissional ou recreativa a ruídos;
- Possui histórico familiar de perda auditiva;
- A criança apresenta dificuldades relacionadas à fala, linguagem ou compreensão;
- Existe preocupação por parte da família ou da escola.
O fonoaudiólogo poderá analisar o histórico, realizar os procedimentos adequados e, quando necessário, orientar a busca por outros profissionais de saúde.
Conclusão
Cuidar da audição não significa esperar que apareça uma dificuldade para ouvir. O acompanhamento preventivo permite identificar alterações mais cedo e tomar decisões adequadas sobre os cuidados necessários.
Crianças, idosos e pessoas expostas a ruídos ou outros fatores de risco devem ter atenção especial à saúde auditiva. Para os demais adultos, a frequência dos exames pode ser definida considerando idade, histórico e necessidades individuais.
Se você percebeu alguma mudança na sua audição ou faz parte de um grupo de risco, uma avaliação profissional pode ser um importante primeiro passo.
Agende sua avaliação no Centro Auditivo Contagem pelo WhatsApp ou envie uma mensagem para nossa equipe. Estamos prontos para orientar você sobre os cuidados com a sua audição.
